Introdução O Homem, uma maravilha da evolução cuja natureza complexa

Essay by EssaySwap ContributorJunior High, 9th grade February 2008

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Introdução O Homem, uma maravilha da evolução cuja natureza complexa é capaz de fazer o Bem ou o Mal. O sucesso no meio ambiente deve-se, sem dúvida, à grande contribuição de muitos da nossa espécie que dedicaram o seu tempo ao conhecimento. Esses deverão ser lembrados para que sirvam de exemplo às gerações futuras, herdeiras do nosso legado genético e cultural.

À semelhança das outras ciências também a medicina teve e tem nobres sábios que dão o seu contributo para o bem-comum. Dos vários impulsionadores desta área do conhecimento encontra-se Ambroise Paré, cirurgião militar do séc. XVI, cujo trabalho tanto nos trouxe de bom.

A sua vida e obra será aqui descrita, num trabalho que dedico a vós, colegas e camaradas, para que possam ver quão importante é ser médico e como esta profissão pode ser enquadrada no meio militar com excelentes resultados.

Biografia I nquestionavelmente um dos maiores cirurgiões do Renascimento, Ambroise Paré, nasceu em França na aldeia de Laval, decorria o ano de 1509.

Muito novo, apenas com 13 anos foi trabalhar para a Condessa de Laval como moço de cozinha, pouco depois tornou-se aprendiz de cirurgião-barbeiro.

Em 1529 quando o Hotel Dieu de Paris abre a suas portas tornando-se num dos melhores hospitais da Europa, surge então a oferta para trabalhar nesse hospital e praticar numerosas dissecações, A. Paré aceita-a.

"Fisicamente era uma homem robusto, que gostava de uma boa história, sendo também muito benevolente" descreveu um amigo próximo. Entretanto o seus estudos são conhecidos após 3 anos, e A. Paré alistou-se no exército francês.

O ano de 1537 marca para o jovem Ambroise Paré o auge da sua brilhante carreira militar, a sua habilidade no tratamento de doenças e ferimentos dos soldados tornaram-no reconhecido e famoso na corte francesa.

Enquanto servia no exército de François II escreveu um livro sobre o tratamento de feridas provocadas por projecteis cuja popularidade fê-lo ser traduzido de francês para alemão, italiano, inglês, espanhol e até japonês.

Paré tornou-se um aficcionado pelos propriedades curativas de várias plantas ao mesmo tempo que dedicava parte do seu tempo livre à zoologia procurando provas da existência de espécies lendárias. Possuía uma grande fé em Deus, fé essa que está implícita numa célebre frase por ele proferida: "Je le Pansai, Dieu le Quarit." , isto é, Eu o trato, Deus o Cura, e que passou a ser o seu lema.

Durante mais 30 anos trabalhou como cirurgião militar e salvou centenas de vida. Antes dele um soldado ferido era deixado à mercê da morte ou então cortavam-lhe a garganta para o salvar do sofrimento. Julgava-se que as feridas feitas por armas de fogos eram venenosas e o único tratamento conhecido era a cauterização para evitar a gangrena, mas um dia na impossibilidade de a realizar, Paré usou uma pomada de terebintina, óleo de rosas e clara de ovo com resultados surpreendentes: as feridas sararam, sem dores e inflamações ou infecções que as classicamente as acompanhavam. A partir daquele dia, tal como escreveu, decidiu "de ne jamais plus brûler aussi cruellement les pauvés blessês" (nunca mais queimar cruelmente os pobres pacientes).

Ambroise Paré foi cirurgião de quatro reis: Henrique II, François II, Charles IX e Henrique III. Foi também médico da rainha-mãe D. Catarina de Medici.

Após a morte do Gen. Montejeve, Paré retorna a Paris onde acaba por casar com uma jovem burguesa chamada Jacquelin Rousselet e tem 6 filhos. Entra ao serviço do conde de Rothan e parte para a guerra, em 1542 assiste ao cerco de Perpignan, então ocupada pelos Espanhóis. O marechal de Brissac foi ferido por um projéctil no ombro, a remoção deste é aparentemente impossível, só que Paré tem a brilhante ideia de o colocar na posição exacta do momento do impacto, o projéctil pôde então ser removido com sucesso.

No ano de 1545, na campanha de Bolonha, salva literalmente a face do duque de Guise ferido por uma lança que se havia fixado sobre a sua orelha direita, este feito cirúrgico demonstrou grande habilidade.

Depois da morte de François I em 1547, Paré regressa novamente a Paris onde aproveita para desenvolver uma técnica de ligação de vasos sanguíneos. Por volta de 1552 a França entrou em guerra com a Áustria, pelo que parte novamente para campanha. No cerco de Danvilliers Paré é obrigado a amputar um dos soldados do conde. Mas em vez de aplicar a cauterização, Paré usa a nova técnica desenvolvida em Paris, os vasos do paciente são bem ligados evitando grandes hemorragias, e este recupera. Após a morte de Rohan, perto de Nancy, Paré passa a servir o Rei Henrique II e é nomeado cirurgião real. A partir daí a sua carreira médica assume uma ligação intima ao destino dos soberanos do seu País.

Em 1553, Paré decide obter o Doutoramento em cirurgia, os seus colegas opõem-se mas o rei está de acordo, então em 8 de Dezembro de 1554 obtém o título.

Mais tarde em 1561 e 1562 publicou mais dois volumes do seu livro "Anatomie Universelle du Corp Humain". Com isso recebe a nomeação de cirurgião-mor conferida por Charles IX.

Nesta altura ocorreram vários conflitos entro Católicos e Protestantes que abalaram o País, A. Paré é envolvido no massacre de Saint-Barthélemy do qual escapa graças à sua amizade com o rei.

De 1564 e 1566 Paré acompanha Charles IX numa visita por França, o que lhe permite recolher novos dados para as suas investigações. Em 1569 viveu 6 meses em Haveri, onde o Rei de França e o havia mandado para tomar conta do jovem irmão do Duque de Aerschet, que tinha sido severamente ferido sobre o joelho por um projéctil de mosquete, este episódio é descrito numa obra sua "Voyage en Flanders",1575.

Mais tarde, no ano de 1574, Ambroise Paré suspende as suas actividades como médico para se dedicar inteiramente à redacção dos seus livros e às suas investigações paralelas. A 20 de Dezembro de 1590, com 81 anos, Ambroise Paré recebe a "última guia de marcha" e deixando o mundo dos vivos, os seus restos mortais são enterrados na Igreja de Saint-André-des Arts, em Paris.

Técnicas Introduzidas A mbroise Paré deu o seu contributo mais significativo dentro da medicina ao nível da cirurgia.

Reintroduziu a ligação dos vasos (originalmente usada por Celso e Hipócrates) quando ficou sem óleo de cauterização numa campanha: o tempo continuava a ser uma variável limitadora, em média um cirurgião a trabalhar sem anestesia, sem torniquetes e sem ajuda especializada estava condicionado a 30 segundos para amputar e 3 minutos para completar a operação. Por isso é que muitos médicos, como Guillemaus, um discípulo de Paré, abandonaram este método e voltaram-se outra vez para a cauterização. Só em 1674, com a invenção do torniquete por Etiennes J. Morel, também médico militar, é que a ligação se tornou muito utilizada.

Paré também inventou várias próteses para os membros quer inferiores quer superiores, mostrando um surpreendente conhecimento das bases da prostética.

Descobriu várias pomadas analgésicas e desinfectantes que usava como complemento das suas cirurgias.

Paralelamente conduziu estudos sobre plantas e animais lendários, numa das suas obras avança com esboços e pequenas descrições de testemunhas, naquela altura o mundo ainda não havia sido totalmente explorado e existiam muitos fenómenos por compreender pelo que eram facilmente atribuídos ao campo das ciências ocultas.

Publicações N uma vida cheia de experiência e sabedoria seria impensável não deixar esse conhecimento para ser usado ao serviço da Humanidade. Com efeito Ambroise Paré publicou as seguintes obras que actualmente se encontram na Bibliothèque Nacionalle em Paris: La méthode de traicter les playes faictes par hacquebutes et aultres bastons à feu et de celles qui sont faictes par flèches, dards et semblables, 1545. (um livro sobre o tratamento de feridos por armas de fogo) Méthode curative des playes et fractures de la teste humaine, 1562. (descreve o tratamento das lesões e fracturas no crânio humano) Dix livres de la chirurgie avec le magasin des instruments nécessaires à icelle, 1564. (sobre várias técnicas e instrumentos de cirurgia) Anatomie Universalle du Corp Humain , 1962. (uma obra de anatomia) Traicté de la peste, de la petite vérolle et rougeolle,1568. (ensina a tratar três doenças) De la génération de l'homme et manière d'extraire les enfans hors du ventre de la mère, 1573. (um livro de obstetrícia) Voyage en Flanders, 1575. (sobre as suas viagens) Discours de la Mumie, des Venins, de la Licorne, de la Peste, 1582. (um célebre discurso sobre algumas doenças e venenos que deflagravam em campanha) Apologie et Traité, contenant les voyages faits en divers lieux, 1585. (mais uma apologia sobre as suas viagens, este foi o seu último livro) Cronologia E is um resumo cronológico da vida deste grande médico: 1509 - nasce A. Paré.

1529 - começa a trabalhar no Hotel Dieu de Paris.

1537 - torna-se conhecido na corte Francesa.

1541 - casa-se com Jacquelin Rousselet.

1542 - entra ao serviço do Conde de Rothan.

1545 - salva a vida do Duque de Guise.

1547 - desenvolve a técnica de ligação 1552 - entra em campanha na guerra contra a Áustria.

1554 - obtém o Doutoramento em cirurgia.

1564 - acompanha Charles IX numa visita de dois anos pela França.

1569 - toma conta do Jovem Duque de Aerschot.

1574 - suspende a sua actividade médica.

1590 - morre e é sepultado em Paris.

Conclusão N o final da sua vida A. Paré tinha deixado um preciso contributo à humanidade: por um lado ao enriquecer o nosso conhecimento por outro ao salvar inúmeras vidas humanos. O modo como o fez é um exemplo de dedicação, dedicação esta à sua Pátria pela farda que orgulhosamente vestiu e à honra de servir a Ciência. Os ditames que seguiu certamente foram os da virtude e da bondade, pelo que diziam os seus amigos Ambroise Paré era um homem bondoso, calmo e sereno mas de uma grande sabedoria e paciência, não era perfeito por que ninguém é perfeito, mas cada dia que passava completava-o cada vez mais como ser humano, será esta a conduta de um médico, saber não só como agir mas ter também a capacidade para compreender emocionalmente o seu doente. O modo como o trata a nível emocional é meio caminho andado para a cura: se um médico é frio e distante, qualquer medicamento surte pouco efeito, porém, se mostra calor humano praticamente o curará só com a sua presença.

A vós colegas e camaradas que ireis seguir o caminho da medicina dou-vos este conselho que tirei da ainda pouca experiência da vida mas que julgo estar correcto: não vos esqueceis da vossa condição, ser médico é ter um poder, poder esse que serve um dos patamares mais altos da vida, poder tal que só terá máxima eficácia se for usado com sabedoria e sobretudo com humanidade. Só agindo assim sereis dignos da herança de Heródoto e dos seus sucessores.

Como médicos militares a actuação não será muito diferente, continuaremos a tratar de pessoas, com a agravante de muitas vezes o fazermos em situações mais difíceis e com menos meios, é especialmente aí que deveremos saber o que fazer e como fazer lembrando-nos do exemplo de Ambroise Paré.

Bibliografia BBC - Medicine Trough Time - Ambroise Paré.

http://www.bbc.co.uk/education/medicine/nonint/renaiss/dt/redtbi1.shtml BONALD, Louis-Grabiel, Vicompte de Ambroise.

http://www.newadvent.org/cathen/02647a.htm BORSOTTI, L., Ambroise Paré.

http://campus.sede.enea.it/alchimia/_alchimia/00000015.htm INFOCIENCE, Histoire de Paré.

http://www.infoscience.fr/histoire/portrait/pare.html LARANE, Bibliographie d´Ambroise Paré.

http://home.worldnet.fr/larane/histoire12081.htm SYDNEY, Clifford C. Who was Paré? http://www.hap.be/english/ambroise pare.htm